domingo, 18 de novembro de 2012

Nem direita, nem esquerda: você mesmo - Marco Leonardelli Lovatto






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Resumo: desejar um Estado comunista e paternalista de economia planificada é sinal de imaturidade, da mesma forma que a valorizar a concepção competitiva do liberalismo num mundo que é essencialmente interdependente. Por outro lado, estamos no início de um mundo auto-organizado de responsabilidade compartilhada, onde ”podemos alcançar uma nova era de promessas cumpridas se todos nós nos envolvermos” [1].
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Marco Leonardelli Lovatto
Existe um pré-conceito muito grande contra aqueles que questionam as práticas atuais: muitos dos que acreditam em mudanças são imediatamente taxados de comunistas ou esquerdistas, enquanto suas ideias não passam nem perto de qualquer princípio encontrado no século 20. Esse é o caso dos Trilhos de Mão Dupla.

As ideias de muitos dos que acreditam em mudanças não passam nem perto de qualquer princípio encontrado no século 20.

Falta educação? Falta urbanismo? Falta infraestrutura? Você já reparou como as mudanças mais importantes para a sociedade levam tanto tempo para ocorrer? Se você acha que isso é devido à falta de dinheiro, eu acho que é devido à falta de responsabilidade dos próprios cidadãos, como aqueles que, de fato, produzem os bens da sociedade.
É claro que o Estado, como ele é hoje, tem o papel de garantir o essencial a todos os cidadãos de forma a não deixa-los à mercê de interesses individualistas dos proprietários dos meios de produção. Isso é louvável, historicamente falando. Entretanto, acreditar na perpetuação dessa forma de governo paternalista é assinar o próprio atestado de imaturidade.
Através do nosso trabalho, somos nós, cidadãos, individualmente ou reunidos em grupos, os responsáveis pela produção e circulação dos bens e serviços dos quais dependemos. Não os governos. Em quê os governos contribuem para a produção, além de cobrar impostos? Eu sei:reduzir impostos. Quanta coisa, não é?
Não. O governo não realiza obras. Quem realiza obras são os cidadãos, reunidos em empresascontratadas pelo governo sob critérios doentes baseados no preço, e não na qualidade, diga-se de passagem. E quem paga essas obras não é o governo, somos nós, cidadãos, através dos tais de impostos. Pagamos obras baratas, demoradas e de má qualidade.
Nessa circunstância, como podemos acreditar que serão os governos, sozinhos, solucionadores dos problemas? Onde os próprios governantes e partidos competem entre si por cargos e poder, ao invés de se deterem àquilo que nos é importante? Como podemos acreditar que um modelo baseado na competição por dinheiro pode nos fornecer um estado de confiança nas pessoas e nos ambientes públicos, fruto da verdadeira qualidade de vida? Como podemos acreditar que podemos ser independentes uns dos outros, enquanto o meu trabalho – minha fonte de direito ao privilégio da vida – é, ele mesmo, dependente do trabalho de outros?

Como podemos acreditar que serão os governos, sozinhos, solucionadores dos problemas? Onde os próprios governantes e partidos competem entre si por cargos e poder, ao invés de se deterem àquilo que nos é importante?

Acredito que sempre precisaremos de instituições representativas, mas será mesmo que precisamos de alguém dizendo-nos o que fazer, e de que forma, como pregam os verdadeiros comunistas de economia planificada? De maneira equivalente, será mesmo que a concepção competitiva do liberalismo (o cada-um-por-si), como pregam os verdadeiros direitistas, atende ao fato de que, em sociedade, ninguém pode ser independente? Ao fato de que, embora auto-administrados, somos todos interdependentes?
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Na verdade, os próprios cidadãos são mais capazes que o governo de resolver seus problemas. Afinal, se o Estado toma uma suposta decisão insana de não contratar uma empresa para consertar as máquinas do tratamento de água, de forma que ela não chegue potável em nossas casas, nós vamos usar água contaminada para sempre? É claro que não: nós vamos nos auto-organizar e fazer o que precisa ser feito em nome do nosso bem.

Os próprios cidadãos são mais capazes que o governo de resolver seus problemas. Sempre que necessário, nós vamos fazer o que precisa ser feito em nome do nosso bem.

E é justamente isso o que tem acontecido cada vez mais: auto-organização. Dê uma olhada nos seguintes exemplos de sucesso:
  • as plataformas de financiamento coletivo, como o Catarse (financiamento de projetos) ou o Impulso (financiamento de negócios).
  • o filme-documentário por uma Educação diferente, em formato livre, La Educación Prohibida, financiado coletivamente.
  • a plataforma de encontros inspiradores Nos.vc, baseada no fato de que todos temos algo a aprender e algo a ensinar.
Tais exemplos provam o quão madura a população é capaz de ser, em oposição a quem acredita que pagar corretamente seus impostos é o melhor que se pode fazer. Acreditar no simples pagamento de imposto ao governo como única forma possível de cumprir na plenitude seu papel social é uma maneira confortável e ultrapassada de viver no cada-um-por-si. Não que devamos contribuir a projetos que não enxergamos além de pagar impostos, mas que contribuições desse tipo possam, num futuro próximo, substituir os impostos em nome de obras que nos afetem diretamente e positivamente, com rapidez e qualidade, por intermédio de pessoas que trabalham com um propósito diferente do dinheiro.
Progresso social envolve cultura, tecnologia, educação, diversão e tudo mais que promova a confiança entre pessoas e grupos através das relações que eles são capazes de construir, utilizando-se do princípio da interdependência.

Progresso social envolve tudo que promova a confiança entre pessoas e grupos através das relações que eles são capazes de construir, utilizando-se do princípio da interdependência.

Com essa consciência, as transformações previstas por Clay Shirky estarão começando a ser alcançadas: veremos cada vez mais gente preocupando-se o suficiente com um valor social ao invés de alguém estar sendo pago para fornecer este valor”.
Graças à internet, que nos aproxima, o mundo está mudando. Rápido. Acompanhe alguns outros protagonistas dessas mudanças:
  • Net Impact: rede de impacto positivo, em prol das pessoas e meio ambiente, educando e inspirando líderes para o desenvolvimento sustentável. Página do Face.
  • Engage - focada em desenvolvimento de software para engajamento. Desenvolvem as soluções ideais de engajamento para cada comunidade, diminuindo a lacuna entre a intenção e a ação. Página do Face.
  • Estaleiro Liberdade – um ambiente acolhedor e de aprendizado mútuo voltado a pessoas insatisfeitas, que querem muito mais do que apenas um emprego: querem se reconectar com seu sonho e trabalhar livremente no seu próprio projeto, um projeto que gere impacto positivo na sua comunidade ou no mundo. Página do Face.
  • Benfeitoria - plataforma criada para dar vida a ideias transformadoras, gerando uma rede composta por agentes de mudança e de esforço coletivo, em prol de uma nova economia baseada na cultura da colaboração e compartilhamento. Página do Face.
  • Cria Global – cria, descobre, desenvolve e implementa negócios de valor compartilhado. Procura acelerar o desenvolvimento dos modelos sociais, consciente de que o mundo éinterdependente e está em constante evolução. Página do Face.
  • Substantiva – escola de convivência para quem não separa trabalho e vida pessoal, e sim busca um desenvolvimento integral. Página do Face.
  • Shoot The Shit – organização de projetos e ações locais com impacto global. Página do Face.
  • PortoAlegre.cc – espaço de colaboração cidadã, onde você pode conhecer, debater, inspirar e transformar a cidade de Porto Alegre. Página do Face.
  • Blog PortoImagem – espaço de deliberação pública em assuntos relacionados à arquitetura, urbanismo e mobilidade urbana de Porto Alegre. Página do Face.
De fato, “podemos alcançar uma nova era de promessas cumpridas se todos nós nos envolvermos”. Quem diz isso é Don Tapscott, no vídeo abaixo, extremamente representativo das mudanças pelas quais já estamos passando. Basta você se envolver. Basta você se engajar.

“Podemos alcançar uma nova era de promessas cumpridas se todos nós nos envolvermos”:


“Não estamos apenas estudando a História do homem, estamos moldando-a” [2].
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Inspiração:
Referências:
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